PRIMEIRA REUNIÃO
Esta reunião só foi possível ser realizada porque vocês aceitaram nosso convite para este encontro.
Agradecemos a todos a oportunidade de lhes expor o nosso objetivo e explicar a que se destinam nossas reuniões.
As reuniões foram baseadas na experiência das Equipes de Nossa Senhora (Movimento de Espiritualidade Conjugal) que, contando com cerca de 100.000 casais espalhados pelos cinco continentes, visam a formar grupos de apoio para uma vida em busca do crescimento de sua espiritualidade conjugal.
Partindo dessa experiência para casais, iniciada na França em 1938, e desde 1950 trazida ao Brasil, com excelentes resultados e inúmeras adesões, surgiu a idéia de aplicá-la também às viúvas, viúvos e pessoas sós (solteiras e separadas, divorciadas que não contraíram segundas núpcias), adaptando sua metodologia para as pessoas que vivem um outro estado de vida: o das pessoas sós.
Essas reuniões de cunho religioso contam com momentos de oração, troca de idéias sobre um tema previamente distribuído e conversas sobre as experiências vividas por cada um, num clima de confiança e de amizade fraterna. Ao seu término, num momento de confraternização, sempre é servido um lanche quando deve imperar a simplicidade.
O fato de vivermos num ambiente em que tantas pessoas nos rodeiam, não impede que tenhamos momentos de solidão e um vazio que só Deus pode preencher.
Nossas reuniões procuram estudar os ensinamentos evangélicos, apresentando a pessoa de JESUS CRISTO – Caminho que devemos seguir, Verdade que devemos procurar, Vida que almejamos alcançar.
Contamos também com o amor maternal de Nossa Senhora da Esperança. A certeza nos diz que, através de Maria, muito mais depressa chegaremos ao encontro com seu divino filho Jesus.
Leitura em grupo:
A) Grupo de viúvas, viúvos e pessoas sós
Podemos dizer que o grupo de viúvas, viúvos e pessoas sós é um novo caminho que se descortina em suas vidas...
É um convite para caminharem juntos...
É uma caminhada no seguimento de Jesus Cristo...
Esta caminhada propicia o encontro. Nele tem-se a oportunidade de conhecer o outro e de dar-se a conhecer; estabelecer laços e fazer novos amigos; reconhecer o rumo da caminhada e almejar os mesmos objetivos.
O encontro dá oportunidade de, cultivando amizades sinceras e fraternas, afastar a falta de estímulo, os momentos de solidão, o sentimento de desamparo... que tantas vezes roubam a serenidade de viver.
“O amigo fiel é uma poderosa proteção; quem o achou descobriu um tesouro. Nada é comparável ao amigo fiel.” (Eclesiástico VI. 14-15).
Este grupo coeso e unido, amparado por sólidas amizades, se transformará numa comunidade amor fraterno onde reinará a alegria do convívio e terá como meta seguir os ensinamentos de Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida.
B) É preciso caminhar.
Toda vida é um caminho. Desde o dia do nosso nascimento até o encontro com o Pai do Céu. Caminhar é uma bela aventura, é abrir-se aos outros, fazer experiências, sentir o sabor da amizade. Ninguém caminha sem saber porque... Recebemos de Deus uma missão e nos convém cumpri-la com fidelidade.
Nunca se caminha sozinho. Uns vão atrás de nós, outros vão na frente ou ao nosso lado. Muitos já caminharam antes de nós percorrendo os caminhos que hoje estamos passando.
É bom contemplar Maria como “Nossa Senhora do Caminho”, porque ela sabe qual o caminho que nos leva à felicidade, à plenitude do amor.
Na vida, precisamos de alguém que nos ensine o caminho, como devemos percorrê-lo e sempre nos tome pela mão, para que o medo não se aposse do nosso coração.
(Do livro “Maio com Maria”, de Frei Patrício Schiadini)
C) Para responder
- O que você gostaria de encontrar nesse caminho novo que se abre para você?
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Texto de apoio (para ser lido durante o mês)
(Primeira Parte)
Histórico do movimento “Comunidades Nossa Senhora da Esperança”
Esse Movimento nasceu do desejo de Da. Nancy Cajado Moncau, com propósito ambicioso...
Tendo ela ficado viúva em 1982, aos 73 anos, continuou, com o entusiasmo de sempre, a participar das Equipes de Nossa Senhora – movimento de casais que ela e o marido, Dr. Pedro Moncau, trouxeram da França para o Brasil em 1950. Como viúva equipista, continuou dando palestras e participando de conferências por todo o Brasil. Escreveu três livros de grande importância para as ENS.
Conhecendo o trabalho do Pe. Caffarel junto às viúvas equipistas que perderam seus maridos na II guerra mundial, por muitos anos Da. Nancy acalentou o sonho de fundar aqui no Brasil um movimento similar. Procurou inteirar-se do assunto mantendo correspondência e contatos com vários países europeus, onde descobrira existir alguns movimentos de viúvas, ligados às suas dioceses, principalmente na França e em Portugal. Quando teve muito clara e nítida a idéia do que queria, resolveu transformar seu sonho em realidade. Em 2003, essa mulher, de corpo franzino, guardando alma de gigante, aos 94 anos, convocou alguns casais e viúvas das ENS para dar início ao seu projeto. E dando um largo passo à frente de seu tempo, fundou um movimento destinado não só às viúvas, mas também a viúvos e pessoas sós.
A esse grupo de trabalho por ela escolhido deu o nome de Equipe Dirigente Central. Desde seu início, essa equipe contou com a presença de um sacerdote conselheiro espiritual. As reuniões se davam a cada quinze dias...
Desses encontros, no começo um pouco nebulosos devido a projeto tão arrojado e inédito, foram surgindo diretrizes consolidadas pelo empenho de Da. Nancy, pelo esforço de todos e, com certeza, sob o impulso do Espírito Santo...
Depois, quando o movimento já estava totalmente esquematizado, batizado com o nome “COMUNIDADES NOSSA SENHORA DA ESPERANÇA”, e elaborado o primeiro tema de estudo, foi a vez de apresentá-lo às nossas autoridades eclesiais, inclusive a CNBB, órgão máximo da Igreja no Brasil. A recomendação que sempre foi seguida a risca, foi de dar conhecimento prévio e obter a concordância dos Senhores Bispos Diocesanos, que não devem ignorar nenhum trabalho ou serviço que é realizado, mesmo em âmbito inter-diocesano, na área geográfica que está sob sua responsabilidade direta. As primeiras visitas feitas foram aos Bispos Auxiliares das Regiões Episcopais de São Paulo – Capital, e Rio de Janeiro, Niterói e Petrópolis. Era o ano da graça de 2005, quando o Movimento já dava sinais de avançar para águas mais profundas.
As pessoas que vivem sós
O objetivo principal dos grupos de viúvas, viúvos e pessoas sós é o de oferecer solidariedade e apoio a todos que vivem esse estado de vida e desejam encontrar um caminho que os leve a uma vida harmoniosa e feliz. Na verdade, as CNSE pretendem mostrar aos seus membros que, apesar de suas dificuldades e tristezas, solidão e isolamentos, Deus nos ampara sempre e nos quer felizes. Foi para isso que Ele nos criou, como vimos no texto apresentado nesta reunião. Por essa razão, é desejável que, em nosso grupo, todos possam desfrutar da amizade fraterna, da ajuda mútua, dos tempos de oração, tão importantes para que nossas vidas alcancem novos significados e a alegria faça parte do nosso histórico de vida.
Juntos, em comunidade, vamos perceber o quanto somos amados por Deus, que é Pai, que nos deu seu Filho Salvador do mundo, que nos envia seu Espírito Santificador...
O Cristo ressuscitado, que caminhou ao lado dos discípulos de Emaús, também está presente em nossas vidas.
SEGUNDA REUNIÃO
O TIJOLO
O pedreiro deitava o tijolo na camada de cimento.
Manejando a pá com segurança, lançava-lhe por cima outra camada.
E, sem pedir-lhe opinião, punha por cima outro tijolo.
As paredes cresciam a olhos vistos, a casa ia elevar-se alta e sólida para abrigar os homens.
Tenho pensado, Senhor, nesse pobre tijolo, enterrado, na noite adentro, ao pé da grande casa.
Ninguém o vê, mas ele desempenha bem seu papel e os outros precisam dele.
Senhor, que importa que eu esteja na cumeeira da casa ou em seus alicerces, contanto que eu seja fiel, bem no meu lugar, na Tua construção.
Do Livro “Poemas para rezar” - de Michel Quoist
CONSTRUÇÃO - COMUNIDADE
· No Evangelho de Lucas (3,3-6), João Batista exorta-nos: “O Reino de Deus está próximo, endireitai as veredas, aplainai os caminhos, aterrai os vales, rebaixai as montanhas”, para que se torne possível a futura construção.
· Em seguida, chega Jesus anunciando que “Já está entre vós o Reino”.
· Durante o tempo de sua pregação, Jesus convida insistentemente o povo, por palavras e sinais, a seguirem seus ensinamentos, assim se poderá fazer acontecer o Reino.
· Essa é a nossa missão recebida no Batismo e renovada na Crisma.
· Como construir o Reino? - Trabalhando em mutirão, em comunidade, unidos como povo de Deus.
· Onde o construiremos? No lugar em que vivemos e atuamos. O dono da construção é Deus Pai. A construção necessita de um mestre de obras. É Deus Espírito Santo quem dirige.
· A pedra fundamental sobre a qual se ergue todo o edifício é Jesus Cristo.
· O barro já foi batido com a água da Graça, e a massa colocada em formas; depois, os tijolos serão cozidos no forno pelas chamas do Amor.
· E nós? Nós somos os tijolos unidos entre si pelo cimento da Caridade.
· Esses tijolos, tão insignificantes, que somos nós, são transformados por Deus em peças indispensáveis. Deus nos quer colaboradores, desempenhando cada um a missão que lhe foi confiada e no lugar escolhido por Ele.
· Humildes, simples, acolhendo-nos mutuamente, suportando o peso uns dos outros, unidos no amor.
· O importante não é o lugar onde fomos colocados, em posição de destaque ou escondidos nos alicerces.
· O que importa mesmo é fazermos a nossa parte na realização do Reino de Deus na Terra. Esse Reino de Deus se completará no céu, a casa do Pai, onde gozaremos da glória do Senhor que nos quer a todos – Santos.
Para responder
- Qual a nossa parte na construção do Reino de Deus?
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Texto de apoio (para ser lido durante o mês)
(Segunda Parte)
Histórico do movimento “Comunidades Nossa Senhora da Esperança”
Uma grande preocupação de Da. Nancy sempre foi pedir autorização e as bênçãos dos Bispos de cada Diocese, antes de iniciar o funcionamento de um grupo, em suas Igrejas Particulares.
Os primeiros Bispos a serem visitados foram Dom Manoel Parrado Carral e Dom Pedro Luís Striguini da Diocese de São Paulo. Quando fomos visitar o Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Odílio Scherer, ele não só aprovou nosso trabalho como nos incentivou a difundi-lo com ardor e entusiasmo.
A primeira apresentação formal do novo Movimento (CNSE) foi feita no dia 27 de setembro de 2003 à Super Região Brasil das ENS, pois Da. Nancy contava com o apoio das equipes para a propagação e implementação das CNSE.
As primeiras Comunidades Nossa Senhora da Esperança foram lançadas na cidade de São Paulo e coordenadas por alguns membros da Equipe Dirigente Central, agora denominada Equipe Dirigente Nacional. No seu indestrutível entusiasmo, Da. Nancy coordenou dois grupos. Um deles era na própria casa de idosos onde morava; o outro, na cidade de São Paulo. Apoiado pelas ENS, o novo Movimento contou e conta com a prestimosa ajuda de casais equipistas de várias regiões do Brasil, com sacerdotes conselheiros espirituais, religiosas e diáconos, empenhados em trabalhar na vinha do Senhor.
As Comunidades Nossa Senhora da Esperança, Movimento cristológico-mariano, apesar de tão jovem, já percorreu um bom caminho em várias cidades dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Pará, Pernambuco, Ceará e também Brasília – DF.
Em 15 de agosto de 2006 – na festa da Assunção da Virgem – pouco antes de completar 98 anos, Da. Nancy, completamente lúcida, partiu para a casa do Pai, certamente levada pelas mãos de Nossa Senhora... Mas não nos deixou órfãos. Ela nos prometeu que, como mãe zelosa, de lá estaria intercedendo por esse Movimento que foi a seiva vital que a alimentou já no ocaso de sua vida, devotada a Deus e dedicada à oração e aos Movimentos que tanto amou.
Um testemunho
Um dia fomos jovens, tínhamos ao nosso lado marido, filhos, trabalhos e preocupações. Vida de lutas e também de muitas alegrias. O tempo passa e, de repente, nos vemos sozinhas: os filhos partem e o marido volta para a casa do Pai. A nossa vida fica vazia. Aí alguém nos fala das Equipes de Nossa Senhora, para Viúvas. Entramos timidamente, com medo de que não desse certo. E surge, então, a grande descoberta. Reunião após reunião, vamos sentindo que outras pessoas também estavam sozinhas e procuravam apoio. Corações iguais ao nosso viviam a mesma experiência da chegada da velhice.
Algumas nunca tinham lido o Evangelho e viviam ainda o espírito infantil da primeira comunhão de sua época (do Deus que castiga). Conhecem a Deus de outra maneira. Passam a orar com suas palavras, com seu coração, abrem suas almas. . . . . Quantas descobertas. . . . O amor de Deus... . . .
É difícil traduzir com palavras tudo o que se passa, mas há uma mudança na vida de cada uma. Uma amizade sincera e profunda vai se formando. O amor do Cristo nos une. Tudo isto nos anima. As queixas da vida vão diminuindo e a gente se vê na alegria do encontro com Cristo. Quantas pessoas estão precisando de uma chance igual a esta...
“Trecho de uma carta de Stela Bentes da Silveira, viúva, pertencente à Equipe de Viúvas, n° 3, de Petrópolis – Nossa Senhora da Rosa Mística”
TERCEIRA REUNIÃO
PROJETO DE DEUS E A CONDIÇÃO HUMANA
A história da humanidade, no sentido religioso, é uma história de amor.
Deus, ao contemplar a criação, viu que tudo estava bom. Então, quis fazer o homem à sua imagem e semelhança, isto é, dotado de consciência, discernimento, liberdade e capacidade para amar, atributos que Lhe são próprios.
Ao homem – obra prima de Sua criação – Deus deu o senhorio de tudo o que fora criado. No projeto de Deus, o ser humano, um ser social, porque não foi criado para ser solitário, deveria usufruir dos bens que lhe foram dados generosamente e viver solidário aos seus semelhantes no mundo – a casa que Deus construíra para todos os homens, de todas as raças, em todos os tempos.
O homem serviria a Deus relacionando-se com o mundo como senhor; com as pessoas como irmão; com Deus, como filho. Como podemos ver, o homem foi criado para ser feliz. Essa felicidade só pode ser verdadeiramente encontrada em Deus, seu criador, porque toda pessoa humana traz em si algo da vida de Deus. E a vida de Deus é Amor... É no Amor que o ser humano é, essencialmente, semelhante a Deus.
Mas não foi isso o que aconteceu.
Usando mal de sua liberdade, o homem disse não ao plano de Deus e virou as costas para o projeto de felicidade que Deus traçara para ele. Isso é o que chamamos de pecado: estar afastado do Amor de Deus. Mas Deus ama infinitamente a humanidade e o seu plano é um plano de Salvação.
Então Deus escolheu um povo – o povo de Israel – e com ele fez uma aliança: “Vós sereis o meu povo e Eu serei o vosso Deus.” A esse povo Deus foi se revelando, foi mostrando sua face, foi se dando a conhecer. Toda história desse povo vamos encontrá-la no Antigo Testamento.
Quando chegou à plenitude dos tempos, Deus mandou ao mundo Jesus Cristo, seu Filho Unigênito – o Salvador. Jesus é a Nova Aliança. Ele veio para implantar, entre os homens, seu Reino de Amor, de solidariedade, de justiça e paz, lembrando a todos que, como filhos do mesmo Pai, devemos viver a fraternidade dos filhos de Deus.
Os apóstolos foram os continuadores da missão pela qual Jesus veio ao mundo. Com eles, em Pentecostes, nasceu a Igreja.
Hoje, vivemos o tempo da Igreja, o tempo do Espírito Santo de Deus. Esse tempo durará enquanto o mundo existir.A história, entendida nesse sentido, não é só coisa de Deus, é também tarefa do homem, porque Deus “convida homens concretos para uma eterna aliança, a fim de construírem o mundo partindo da fé e da comunhão com Ele, aceitando ser os seus colaboradores no desígnio da salvação.” (Puebla 187).
Para responder
1) Como seria a humanidade caso o homem não tivesse virado as costas ao plano de Deus?
2) Por que a história do povo de Deus é também tarefa do homem?
Meditando o Evangelho
- 1 Jo.4,7–14 -“O amor está no centro do Projeto de Deus para a humanidade”.
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Texto de apoio (para ser lido durante o mês)
(Terceira Parte)
Histórico do movimento “Comunidades Nossa Senhora da Esperança”
Composição dos grupos
Após o convite feito e aceito por cada pessoa, o primeiro encontro se dá numa Reunião de Lançamento, quando é explicada a proposta das CNSE. O segundo encontro é o início de uma caminhada em grupo que se transformará numa comunidade religiosa...
O ideal é que cada grupo possa contar com 8 a 10 membros permanentes, conduzidos pelo Coordenador – especialmente designado pelo Movimento; o Sacerdote Conselheiro Espiritual (SCE) ou um Orientador Espiritual (OE) – Religiosa (de qualquer congregação), Diácono transitório ou permanente, como ainda Seminarista que esteja cursando teologia.
Como se sabe, logo nas primeiras reuniões, aquelas pessoas que não se identificarem com a proposta apresentada, automaticamente vão deixar de comparecer. Isso é natural. No caso de desistências, o próprio grupo deverá convidar amigos e conhecidos da comunidade religiosa a que pertencem para que o grupo seja completado. Os grupos das CNSE, por ser uma atividade da Igreja Católica, Apostólica e Romana, por motivos óbvios, não deverão ter em seus quadros pessoas que professem outro credo religioso. Não se trata de excluir ninguém, mas sim de ser fiel à proposta básica do Movimento e à sua metodologia de trabalho pastoral.
O número ideal (até 10 pessoas) facilita a integração e o interagir de todos. Mas nada impede que ele seja formado por uma ou duas pessoas a mais. O importante é que todos tenham a oportunidade de externar suas idéias, conhecimentos, dúvidas, para que haja enriquecimento recíproco. E que as Reuniões não se estendam mais que o necessário...
As reuniões se dão mensalmente, de preferência na casa dos membros do grupo. Excepcionalmente poderão ser feitas em dependências das Paróquias. Devido à natural dificuldade de deslocamento, não só pela idade, mas também pelas distâncias, seria conveniente que os grupos fossem formados levando em consideração áreas geográficas próximas, principalmente nas grandes cidades.
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Dezembro de 1968. Uma cápsula espacial habitada contorna pela primeira vez a Lua. O mundo inteiro olha. O mundo inteiro está à escuta... E ouve os cosmonautas da Apolo 8 - Andrew, Lowel e Borman - ler em voz alta a primeira página da Bíblia:
“ No princípio, Deus criou o céu e a terra... Então disse Deus: “Haja luz.” E houve luz. Viu Deus que a luz era boa e separou as trevas da luz... Disse Deus: “Haja luzeiros na abóbada do céu para distinguir o dia da noite... Para projetar luz sobre a terra.” E assim foi. Portanto, Deus fez os grandes luzeiros: o luzeiro maior para dominar o dia e o luzeiro menor para dominar a noite, e as estrelas...
Depois Borman, especialista em astronáutica, mas que é também leitor da equipe litúrgica de sua paróquia, acrescenta: “Dai-nos, ó Deus, a possibilidade de ver vosso amor no mundo, não obstante os defeitos humanos. Dai-nos a fé, a confiança, a bondade, apesar da nossa ignorância e fraqueza. Dai-nos o conhecimento para que possamos continuar a rezar com corações compreensivos.”
O homem no ápice da sua ciência... e que confessa a Deus.
O homem no auge de seu poder... e que dá glória a Deus.
O homem em pleno domínio de sua técnica... e que suplica a Deus, não para que dirija sua cápsula, mas que transforme seu olhar e seu coração.
Do livro: A Fé explicada a adultos, de Mermet
QUARTA REUNIÃO
A COMUNIDADE
Nos Atos dos Apóstolos (At 4, 32-33) está registrado que os primeiros fiéis colocavam tudo em comum e entre eles não havia necessitados. A multidão de fieis era um só coração, uma só alma.
Outrora as pessoas viviam em tribos e grupos homogêneos, tinham as mesmas raízes familiares, falavam a mesma língua, e viviam os mesmos ritos e tradições. Eram solidários...
Os tempos mudaram hábitos e costumes... Hoje, as cidades são formadas de vizinhos que não se conhecem, pessoas que não se cumprimentam. Cada um se fecha atrás dos muros de suas casas, das grades de suas moradias e leva a vida guardando cuidadosamente seus bens, procurando sempre adquirir outros e afastando-se cada vez mais das pessoas de um modo geral.
A família também passa por grandes mudanças que estão desestruturando suas bases. Isso acontece porque vivemos numa sociedade em crise, contestadora dos valores e costumes que regiam a vida até a algumas décadas passadas. O progresso material individualista e o desejo de promoção pessoal, visando sempre a um maior prestígio, valem muito mais que o sentido da partilha, da fraternidade. A sociedade moderna é individualista, utilitarista, materialista, consumista...
Perdemos o sentido de COMUNIDADE, daquele sentimento de união que tanto fortaleceu o grupo dos primeiros cristãos. Cada vez mais cresce o número de pessoas que se sentem solitárias e se consideram à margem da sociedade em que vivem.
Uma pessoa pode estar só e não sentir solidão. Outra, pode estar cercada de uma multidão e ser solitária...O ideal é que as pessoas sós procurem participar de grupos que tenham os mesmos interesses e objetivos comuns. Isso lhes trará alegria e satisfação de viver.
Uma comunidade não é uma equipe de trabalho, um lugar de disputas e competições. Uma comunidade é o lugar em que cada um, deixando de lado todo e qualquer egocentrismo, visa ao bem comum, cria laços de verdadeira amizade...Em comunidade todos caminham na mesma direção em busca de um mesmo objetivo e ideal. Em comunidade aprende-se a respeitar, valorizar e amar o próximo...
O amor é uma força unificadora. Amar é estar voltado para o próximo, “é assumir a responsabilidade de viabilizar o florescimento da liberdade fundamental do outro”.Onde há cativeiro, o amor jamais florescerá.
A vida comunitária é uma escola onde se aprende e se desenvolve a aventura da libertação interior: a arte de amar e ser amado.
Quanto mais livre das amarras, mais o amor será capaz de amar. Quem conseguiu chegar a esse nível, alcançou o mais alto grau na escalada do amor: o AMOR DA GRATUIDADE.
Para responder
1) Quais as diferenças entre simples grupos e comunidade?
2) O que é amor de gratuidade? Quais as suas características?
Meditando o evangelho (AT 2, 41-47
Para ler
Eis uma curiosa formação comunitária que se identifica muito com o trabalho que queremos lhes apresentar, embora não sejamos um bando mas um povo: somos o Povo de Deus em marcha nos caminhos da vida.
Quando vocês virem gansos voando em formação “V” podem ficar curiosos quanto às razões pelas quais eles escolhem esta forma de voar. Vejamos, então, algumas descobertas científicas a respeito:
1º. Fato
À medida em que cada ave bate suas asas, ela cria uma sustentação para a ave seguinte. Voando em formação V , o grupo inteiro consegue voar pelo menos 71% a mais do que se cada ave voasse isoladamente.
Verdade:
Pessoas que compartilham uma direção comum e um senso de comunidade, chegam ao seu destino mais depressa e facilmente, porque elas se apóiam na confiança umas das outras.
2º. Fato
Sempre que um ganso sai fora da formação, repentinamente, sente a resistência de tentar voar só e, de imediato, retorna à formação para tirar vantagem do poder de sustentação da ave à sua frente.
Verdade:
Existe força, poder e segurança em grupo quando se viaja na mesma direção com pessoas que compartilham um objetivo comum.
3º. Fato
Quando o ganso líder se cansa, ele reveza, indo para a traseira do V, enquanto um outro assume a ponta.
Verdade:
É necessário e vantajoso o revezamento quando se necessita fazer um trabalho árduo.
4º Fato
Os gansos de trás grasnam para encorajar os da frente a manterem o ritmo e a velocidade.
Verdade:
Todos necessitam ser estimulados com apoio ativo e encorajamento dos companheiros.
5º. Fato
Quando um ganso adoece, ou se fere, e deixa o grupo, dois outros gansos saem da formação e o seguem, para ajudá-lo e protegê-lo. Eles o acompanham até a solução do problema e, então, reiniciam a jornada a três, ou juntam-se a outra formação até encontrar seu grupo original.
Verdade:A solidariedade nas dificuldades é imprescindível em qualquer situação.
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Texto de apoio (para ser lido durante o mês)
(Quarta Parte)
Histórico do movimento “Comunidades Nossa Senhora da Esperança”
A) Proposta das CNSE
A pessoa humana, independente de seu estado de vida, tem imperiosa necessidade de cultivar sua vida espiritual, se quiser guardar a paz interior e enfrentar, com determinação, confiança e coragem, os mistérios da vida.
Ao cristão é necessário encontrar forças nos meios de crescimento na fé que a Igreja oferece e na prática dos sacramentos – sinais da graça e do amor de Deus.
Com o pensamento voltado para o Altíssimo, a proposta das CNSE fundamenta-se na mística da entre-ajuda, isto é, desenvolvimento do companheirismo que propiciará encontros alegres e harmoniosos, num ambiente de respeito e amizade fraterna.
Como proposta espiritual e religiosa visa formar Grupos para:
- Louvar e servir a Deus no seu estado de vida, como pessoas sós.
- Buscar, insistentemente, novos caminhos que levem em direção a Cristo, nosso Salvador.
- Renovar a confiança e esperança de uma vida digna, sob a proteção de Nossa Senhora.
- Testemunhar, em âmbito familiar, profissional e social, que se pode viver, cristamente, as alegrias da vida – dom de Deus.
- Incorporar no seu cotidiano o ensinamento do Pe. Caffarel, considerado “Profeta do século XX”: “Que Deus esteja na sua casa e seja o primeiro a ser buscado, o primeiro a ser amado, o primeiro a ser servido.”
Nosso desejo, como movimento cristão leigo, é que, de maneira metódica e perseverante, cada grupo consiga desenvolver novas maneiras de viver que permitam vislumbrar em todas as coisas e acontecimentos, o quanto as pessoas sós são especiais aos olhos do Criador.
Sob o olhar misericordioso do Senhor, possam perceber que foram destinados a ser felizes, em todos os estados nos quais, o desenrolar da vida os colocou.
B) Experiência com grupos de viúvas, viúvos e pessoas sós
A vida, como todos nós sabemos, é permeada de momentos que se alternam, não ao sabor do nosso gosto, mas com fatos e acontecimentos que transcendem ao que queremos ou almejamos para nós mesmos e para os que nos cercam.
Convivemos, ora com situações alegres, felizes agradáveis; ora com situações aflitivas, sofridas , dolorosas...O sofrimento, quando não compreendido, traz em seu bojo o estigma da desesperança, do aniquilamento, da solidão...
A vida solitária leva ao isolamento de tudo e de todos... Entretanto, o ser humano não foi feito para isolar-se, viver ausente e fora do seu mundo. Desde o começo da história da humanidade, lá no Gêneses, o Criador diz a si mesmo: “Não é bom que o homem esteja só; vou fazer para ele uma auxiliar que lhe corresponda.” (Gn 2, 18) Ao criar Adão (pai dos viventes) e Eva (mãe dos viventes) Deus viu que isso “era muito bom”.
No meio em que vivemos encontramos muitas pessoas que, embora não estejam totalmente sós, vivem uma situação de poucas descobertas e absoluta falta de motivação para enfrentar, de cabeça erguida, os desafios que ainda têm pela frente. Essa é uma situação que, muitas vezes, acontece na vida de viúvas, viúvos, solteiros, separadas tendo a obrigação de arcar, sozinhos, com todas as responsabilidades familiares.
A essas pessoas tão especiais aos olhos de Deus é que as CNSE voltam sua atenção e oferecem auxílio, com base nos ensinamentos e serviços pastorais da Igreja, na esperança de que seus membros encontrem amizades fraternas e algo que possa levar o grupo ao enriquecimento de sua vida espiritual.
Ao pertencer às CNSE – grupo de pessoas solidárias e acolhedoras – possa cada membro vislumbrar um novo sentido para sua vida, numa trajetória que o conduzirá ao encontro de Jesus Cristo, nosso SALVADOR.
Com Nossa Senhora da Esperança é certo que esse caminho será iluminado por seus méritos e virtudes...
QUINTA REUNIÃO
VISÃO GERAL DO MUNDO EM QUE VIVEMOS
Uma visão realista mostra as inúmeras perdas que ocorrem no mundo em que vivemos. Dentre tantas, citamos: perda da saúde , do emprego, da moradia, do alimento necessário à sobrevivência, da possibilidade de conviver, da qualidade de vida ligada ao meio ambiente e ao sistema econômico vigente, da perda da dignidade, da tranqüilidade de ir e vir...
O que se vê ao nosso redor?
Em termos internacionais, conflitos armados, disputa de territórios para o exercício da liberdade política, cultural, econômica, social e religiosa.
As nações promovem conferências internacionais envolvendo países em torno de problemas que afligem a humanidade: fome, perda de controle na distribuição de renda. Com ela a perda da saúde , tendo como conseqüência a desnutrição e a mortalidade.
A fim de sanar o problema da fome, os que norteiam os destinos da humanidade pelo Poder Econômico, desenvolvem técnicas sofisticadas de controle da natalidade através de métodos contra conceptivos, ao invés de usar imensas áreas disponíveis ao plantio de alimentos e destiná-los aos que vivem desnutridos, em países de pobreza extrema.
Com certo espanto, contempla-se as Ciências manipulando as pessoas, através de meios cada vez mais sofisticados, muitas vezes perdendo a noção de limites, como se fossem “senhores da vida”.
Gravíssimo também é o desrespeito à natureza, o grande lar em que vivemos. Não que se deva impedir o progresso, pelo contrário. Mas ele deve ser usado para estar a serviço da vida, lembrando que num planeta exaurido e doente é impossível haver vida saudável.
Tantas outras situações de perda poderíamos elencar no ambiente e sociedade individualista, utilitarista, consumista, materialista, em que vivemos!...
Todas essas perdas geram temor, insegurança, inquietação, separação...
O ser humano menospreza sua identidade de filho do Altíssimo quando desrespeita e fere sua dignidade e a dignidade do outro, quando malbarata e agride a natureza, quando destrói ao invés de construir...
Para responder
1º - Das perdas elencadas, qual é a que mais incomoda você?
2º - A terra e tudo que nela existe é criação de Deus, que a colocou a serviço do Homem. No nosso cotidiano, que podemos fazer para, efetivamente, preservar o mundo que deixaremos para nossos filhos, netos e gerações vindouras?
Meditando o Evangelho: Gn 1, 26-31
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Texto de apoio (para ser lido durante o mês)
(Quinta Parte)
Histórico do movimento “Comunidades Nossa Senhora da Esperança”
CARISMA, MÍSTICA, COMPROMISSO
Carisma
Carisma é Dom de Deus, é Graça especial que, sendo oferecida de graça, de graça deve ser transmitida.
O Carisma específico das CNSE é a Espiritualidade das Pessoas Sós (viúvas/os, solteiras/os e pessoas separadas que não contraíram nova união). Ele será percebido e vivenciado com o passar do tempo, quando os grupos transformarem suas Reuniões em verdadeiros Encontros com o Cristo Ressuscitado e com seus companheiros, em busca de um aprimoramento espiritual cada vez mais coerente com a vida cristã.
Não somos anjos e não fomos criados para ser perfeitos. Deus nos criou para sermos Santos e nos quer assim como somos. Todavia, a santidade depende de cada um de nós.
Mística
É a ação do Espírito Santo impulsionando-nos a viver e agir cristamente, dentro do estado de vida de cada um de nós.
Como cristãos, nossa vida só terá sentido se vivermos segundo a vontade de Deus, procurando estar atentos para perceber os chamados e intervenções do Altíssimo.
A Mística do nosso Movimento consiste em agir segundo o Espírito nos momentos em que oramos, partilhamos, nos entre - ajudamos, colaboramos com o Movimento e, em grupo, buscamos nos aperfeiçoar na busca de uma vida cada vez mais próxima de Deus.
Compromisso
Todo Movimento, para não perder seus propósitos e ter uma orientação uniforme, precisa de regras e compromissos que lhe mantenham a unidade e preservem seu Carisma, sua Mística. Os membros das CNSE devem aceitar suas Regras e assumir os compromissos propostos pelo Movimento. Eles serão apresentados ao Grupo, paulatinamente...
Sabemos que cada pessoa, cada Grupo tem seu tempo, seu modo próprio de colocar em prática esses compromissos. Isto é muito natural. O mais importante é o esforço para incorporá-los em suas vidas.
E quais são esses compromissos?
1º - Esforço de oração:
a) Leitura Bíblica
b) Meditação ou Oração Interior
c) Regra de vida
2º - Reunião Mensal
3° - Vida do Grupo
Outros compromissos:
* Retiro Anual ou Dia de Reflexão;
* Contribuição
(Sobre eles falaremos na próxima Reunião)
NOTA: Esse assunto deverá ser co-participado na próxima reunião.
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Aprendendo a superar nossas perdas
Os cristãos que vivem o Evangelho de Jesus Cristo sabem com quanta ternura Ele preservou a vida.
Acompanhado de seus discípulos, ao entrar em Naim, na estrada de Cafarnaum a Samaria, Jesus foi ao encontro de uma comitiva fúnebre que levava um morto, filho único de mãe viúva. Ao vê-la, Jesus sentiu compaixão e dizendo: -“Não chores”, aproximou-se do féretro e todos pararam. Então ordenou que o jovem se levantasse, entregando-o à mãe. (Lc 7, 11-17)
A passagem evangélica que narra a morte de Lázaro e sua volta à vida, mostra o apreço da amizade humana, a compaixão de Jesus diante de tão grande perda.
Não deixemos de apreciar e meditar a leitura da parábola da ovelha perdida.( Lc15,1-7 )
A todos Jesus ensina o valor da vida.
Àqueles que sentem o peso das perdas em sua vida e desejam trabalhá-las, seria interessante procurar metas capazes de auxiliá-los a encontrar equilíbrio e alegria de viver. Vejamos algumas:
1º - Escolher estratégia capaz de contribuir para melhorar a qualidade de sua vida e a das pessoas ao seu redor.
2º - Aprofundar-se na percepção da realidade, tenha ela a face positiva ou negativa. Perguntar-se: o que poderia ser feito para mudar essa realidade?
3º - Reunir-se num círculo de amizade para troca de idéia sobre experiências de vida, conquistas, fracassos, desejos e dificuldades de todos do grupo.
4º - Olhar para fora de seus problemas, sensibilizar-se com o que está acontecendo ao seu redor e procurar melhorar tudo que estiver ao seu alcance.
5º - Comunicar-se com os outros não só para contar seus problemas e conquistas, mas, também, para lhes dizer palavras de conforto de estímulo e admiração.
. 6º - Procurar ajudar sempre, sem se preocupar com agradecimentos ou recompensa.
7º - Dedicar-se a momentos de silêncio interior, consciente de que meditação e oração são armas poderosas na conquista da paz de espírito.
8º - Lembrar sempre que a vida sacramental é poderosa ajuda para a vida cristã.
Metas exigem empenho e desejo de serem alcançadas. São caminhos, às vezes longos...O importante é que sejam escolhidas de acordo com as possibilidades de cada um. Metas impossíveis de serem alcançadas são negativas, pois levam ao desânimo e à desistência.
SEXTA REUNIÃO
MUITAS VEZES, SOMOS ROUBADOS DE NÓS MESMOS
Somos seres humanos em permanente evolução. Estamos sendo esculpidos num constante processo de acabamento.
A misteriosa jornada da nossa existência vai elaborando um cenário de encontros e desencontros, partidas e chegadas, sucessos e fracassos, tristezas e alegrias, conquistas e perdas e assim por diante.
Pelos caminhos da vida temos oportunidade de desenvolver nossas capacidades físicas, morais, intelectuais, culturais e espirituais.
Nosso modo de viver irá influenciar o processo do nosso acabamento (de maneira positiva ou negativa ) e quando a morte chegar irá nos surpreender ainda em processo de feitura porque nunca estaremos acabados.
Nascemos indivíduos (isolados da coletividade). Passamos a ser pessoa quando alcançamos a capacidade de “dispormo-nos de nós mesmos para nos dispor aos outros”.
Dispor de nós mesmos significa que precisamos da nossa liberdade de pensar, de agir,de decidir...enfim, de sermos nós mesmos. Precisamos ser livres para estarmos disponíveis aos outros. É ai que aprendemos a conciliar o eu com o tu para estabelecermos o nós. É ai que se dá o Encontro.
Ser pessoa nos leva à descoberta e vivência da solidariedade, da compaixão, do respeito ao outro, da gratuidade, do despojamento do amor... Ser pessoa nos torna humanos.
Muitas vezes, devido ao ambiente em que vivemos, devido ao nosso temperamento, somos roubados da nossa subjetividade ( tudo aquilo que pertence ao sujeito; o mais íntimo do ser, onde habita o eu) e tolhidos da capacidade de dispormos de nós mesmos, portanto , privados da nossa liberdade de crescer como pessoa.
Se os seqüestros do corpo causam tantas tragédias à família e insegurança à sociedade, os seqüestros da alma (subjetividade) - muito mais comuns - trazem indescritíveis malefícios.
É preciso muita vigilância para que não sejamos nem vítimas nem vitimadores dos seqüestros da subjetividade existentes nas relações humanas.
O amor possessivo, o domínio sobre o outro, a poda da criatividade, a exigência desmedida e tantas outras imposições, aprisionam o ser humano e o destitui de sua liberdade de ser pessoa.
Até mesmo acontecimentos corriqueiros do cotidiano podem seqüestrar e roubar nossa subjetividade. Quantas lembranças, às vezes até simples, nos marcaram profundamente e as carregamos, como grande peso, por tantos anos a fio.
Existem pessoas que roubam a liberdade alheia...
Em muitos casos, vitimadores acham que estão fazendo o melhor para o outro (mulher, marido, filho, amigo, colega de trabalho, empregado...)
Felizmente, existem também aqueles que a devolvem...
A compreensão, o carinho, a amizade, o incentivo e o amor são chaves preciosas, capazes de abrir a porta das prisões da subjetividade, da alma.
Numa cidade, não muito distante da minha, vivia uma família, cujo pai poderoso, ocupava posição de destaque na cidade. Acostumado a dar ordens e nunca recebê-las, agia na família da mesma forma como exercia sua profissão. Na verdade amava a profissão e a família, mas esse era seu modo de ser. E ponto final.
Terezinha, a filha mais velha, era uma menina alegre, inteligente, sensível. Morria de medo do pai. Sua descontração irritava o patriarca, que a advertia sempre. Terezinha foi aprendendo a ser contida. Aquelas risadas gostosas foram aos poucos sendo silenciadas...
Queria muito ser engenheira mas o pai disse-lhe que essa não era profissão para mulher...ela tinha que ser médica, que era a carreira adequada para ela. E ponto final. Terezinha estudou medicina...
Mais tarde o pai a casou com o filho de um grande industrial, amigo seu. O rapaz era excelente partido e a filha não podia perder a oportunidade de fazer um bom casamento.”O amor chegaria com a convivência”, garantiu-lhe o pai. E Terezinha se casou...
Mas como amor não é mercadoria de compra e venda, Terezinha carregou, em seu íntimo, um casamento de conveniência
Como uma flor apanhada no jardim e colocada num vaso de cristal, cujas pétalas vão caindo com o passar dos dias, Terezinha pode ser a imagem da mulher que viu a vida passar; apenas passar...sem ser a protagonista de sua própria existência porque, roubada de sua subjetividade, nunca conseguiu abrir as portas da prisão em que a colocaram.
Para troca de idéias no grupo
1º - Destaque no texto o que mais chamou sua atenção.
2º - Você já se sentiu roubada de si mesma, na infância, na juventude e até mesmo nos dias de hoje?
3º - Façam uma análise da figura do pai e da figura da filha nessa história que acabamos de relatar.
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Texto de apoio (para ser lido durante o mês)
(Sexta parte)
Histórico do Movimento “Comunidades Nossa Senhora da Esperança”
A) COMPROMISSOS PROPOSTOS
Os compromissos propostos pelas CNSE devem ser entendidos no seu sentido evangélico e não como exigências a serem cumpridas. Sua aceitação é condição vital para a pertença às CNSE. Eles visam oferecer meios para o crescimento na FÉ e uma maneira mais cristã de se viver o estado de vida das pessoas sós, das viúvas, viúvos e separados que não contraíram novo relacionamento.
Três são os compromissos, a saber: Esforço de Oração, Reunião Mensal e Vida de Grupo.
1 – Esforço de Oração
Consiste em:
1.1 - Leitura Bíblica
Ler diariamente a Bíblia, procurando compreender o que Deus quer nos falar através de Sua Palavra.
Recomenda-se seja feita, calmamente, em lugar tranqüilo. Se necessário, repetir a leitura para melhor compreender o texto e absorver seu significado para aquela ocasião.
A mesma leitura pode tocar nosso coração de várias maneiras, dependendo do momento em que a lemos e da nossa disposição em acatá-las.
1.2 - Meditação ou Oração Interior
Meditação significa oração interior. É refletir, interiormente, uma passagem bíblica, procurando compreender seu conteúdo e associá-lo à realidade da vida. Pode ser feita logo após a leitura da Palavra, aproveitando esses momentos de paz e sossego ou num outro momento oportuno...
1.3 - Regra de Vida
Trata-se de fixar, para si próprio, um esforço, visando seu crescimento humano e espiritual como resposta ao amor de Deus. Sua finalidade consiste em superar, pacientemente, alguma dificuldade no nosso cotidiano, com coisas que nos irritam, perturbam e nos deixam impacientes... (o que só servem para fazer mal à nossa saúde).
A regra de vida pode ser também positiva, isto é, procurando desenvolver nossos talentos e capacidades, para colocá-los a serviço do próximo.
2 – Reunião Mensal
A Reunião Mensal é acontecimento prioritário na vida de todos os participantes do grupo. Eventuais ausências só se justificam por motivos que fogem ao nosso controle. A assiduidade é a alma do grupo; é a ocasião em que todos se encontram para, juntos, viverem momentos fortes de espiritualidade e partilha de vida.
3 – Vida do Grupo
Destina-se a consolidar, paulatinamente, o espírito de união e de ajuda fraterna entre seus participantes. De modo bem simplista poderíamos dizer que se trata de tudo aquilo que é realizado entre uma reunião e outra, respeitando as características de cada grupo. Exemplo disso são passeios em grupo, visitas, telefonemas, chás, missas e as muitas outras oportunidades para um encontro informal...
Além dos três compromissos é preciso realçar a importância do RETIRO ANUAL ou DIA DE REFLEXÃO. Preparados especialmente para as pessoas sós, eles constituem rara oportunidade para conhecer o pensamento de Deus, sentir “a grande manifestação do seu amor por cada um de nós”. Retiro é o momento em que Ele fala conosco na tranqüilidade do recolhimento, na serenidade da meditação, no silêncio da oração, fazendo-nos perceber o valor da vida e o que Ele espera de nós.
NOTA: Os “compromissos”, de maneira especial os “Esforços de Oração”, deverão ser colocados em comum na co-participação e eventuais dúvidas deverão ser devidamente esclarecidas pelo Coordenador.
CONTRIBUIÇÃO: Para arcar com os compromissos financeiros das CNSE, que, como toda organização social de caráter religioso sem fins lucrativos (despesas de secretaria, encargos sociais, água, luz, telefone, material de divulgação, etc.) cada membro (respeitando suas possibilidades) deverá fazer uma contribuição em favor do Movimento.
Como regra geral, essa contribuição será feita da seguinte maneira: um dia de seu rendimento do mês (total dos proventos e outros rendimentos) divididos por 8 (reuniões anuais).
Exemplo:
Rendimento mensal 600,00 divididos por 30 (um dia)= 20,00
20,00 divididos por 8 (n° de reuniões) = 2,50.
Entretanto, cada um dê obedecendo ao que lhe fala o coração. Ao contribuirmos com o Movimento estamos possibilitando que ele se sustente, se expanda e esteja presente por todos os cantos do nosso Brasil.
B – NOTAS DE UM ARTIGO DO PE. CAFFAREL
A cada dia basta a sua graça.
Um de vocês dizia há dias: “veja, eu poderia carregar a minha cruz de hoje; não é a mais pesada. O que me pesa é a cruz de ontem e a de amanhã. O passado me oprime com todo o peso das alegrias e das forças perdidas. Sem querer, nas noites de cansaço, eu penso no tempo em que éramos dois, em que eu não tinha senão a metade da vida para carregar...E amanhã será ainda mais pesado... amanhã será o desgaste no trabalho, o dinheiro que vai faltar, as crianças que crescerão e que eu não saberei nem compreender, nem ajudar”...
As pessoas sós, muitas vezes, poderão dizer o mesmo. Não se casaram mas ajudaram a criar sobrinhos, a cuidar dos pais idosos ou mesmo de uma casa, de uma família...
Por que sobrecarregar-se dessa maneira?
“A cada dia basta seu sofrimento”. A cada dia basta sua graça.
A cada manhã Deus dá a quem pede a provisão de força para todo o dia. Não foi Ele que nos ensinou a dizer: “...o pão nosso de cada dia nos daí hoje”? O pão por um dia, só por um dia... Nem mais nem menos. Vocês se lembram do episódio do maná na Bíblia? Uma vez por dia caia a chuva de pão, mas não se podia guardá-lo. No fim de 24 horas esse pão apodrecia. Entretanto a cada dia esse milagre era renovado.
Que seu pensamento e seu coração não se fixem demais num pesar obsecante e estéril. Reúnam-se, novamente no presente, Àquele que vocês continuam a amar e que os ama também. Apóiem-se n’Ele através da oração. Ele não é uma lembrança que se esvai, mas sim, uma presença viva. Não antecipem o amanhã; não imaginem nem mesmo o melhor. Esperem que o amanhã se torne “hoje”. Lá estará o Senhor para ajudá-los, para torná-los mais fortes que a fadiga, mais fortes que a provação, mais fortes que a tentação.
Deus dá a coragem para viver, mas só a dá para cada dia. Sua graça, como o pão, como o amor, é alimento cotidiano.
Vocês dirão talvez:
- ”É mais forte do que eu!. Não posso deixar de pensar.”
“Sim, talvez mais forte do que vocês, mas não mais forte do que Deus.”
ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DA ESPERANÇA
Senhora da Esperança, tua alegria era fazer a vontade do Pai.
Tua vida era estar atenta às necessidades dos outros.
Intercede por nós!
Quando nossa Fé vacila,
Quando somos tentados a desesperar,
Senhora da Esperança,
intercede por nós!
Quando fechamos o coração,
Quando consentimos a injustiça,
Senhora da Esperança,
intercede por nós!
Quando parece ser difícil seguir teu filho,
Quando nos cansamos de fazer o bem,
Senhora da Esperança,
intercede por nós!
Quando o não se antecipa ao nosso sim,
Leva-nos a Jesus Cristo, nossa esperança.
Amém
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PEQUENO HISTÓRICO
O culto a Nossa Senhora da Esperança começou na França, por volta do ano 930 e se tornou mais intenso por ocasião das grandes navegações.
Recebendo das mãos do Rei Manoel a imagem da Nossa Senhora da Esperança, Pedro Álvares Cabral trouxe-a consigo e no momento da primeira Missa em terras brasileiras, lá estava sobre o Altar a imagem da Virgem.
Nossa Senhora é representada com as roupas de uma mulher do século XV e traz no braço esquerdo o menino Jesus.
Uma cópia dessa imagem se encontra no bosque do Colégio Santo André, em Rio Preto (SP). A estátua original foi recentemente devolvida a Portugal.
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